sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A unidade da diferença.

Quero falar de Cultura e deste conceito de “unidade diferente” partindo do princípio de que a cultura responde a condições particulares num contexto histórico, político e social específico. Pois bem, mas o que isto quer dizer? O que chamamos de Sociedade é composta por economia, política e cultura. Partindo daí eu penso: O que é a nossa Cultura hoje e quem a produz para quem?
Vivemos num mundo ramificado onde coexistem centenas de grupos sociais diversos que são demasiadamente diferentes uns dos outros porém, em determinadas situações se comunicam e até se fundem. Mas isso porque mesmo nessa idéia de mundo ramificado e subdividido eles coexistem no mesmo mundo, pois ainda sim são a mesma sociedade, influenciada pelos mesmos fatores. Por isso acredito que dentre eles a cultura seja o valor de maior valor, pois nela não importa o poder econômico e nem a direção política.
É a cultura, através da música, ou melhor, do Funk, que leva o “playboy” do asfalto para um baile dentro de uma comunidade localizada no alto de um morro. E aí não importa o fator econômico e nem político que os diferenciam. Todos estão consumindo o mesmo produto cultural.
Então eu acredito que o fator mais promissor e capaz de realizar essa “Unidade” seja a Cultura. Pois é produzindo e consumindo essa cultura que dá-se a maior troca do ser humano, a troca da essência, pois as expressões dessa cultura são sempre expressões de valores, ideologias e sentimentos tangentes à mesma submissão social de todas as classes. E é exatamente nessa expressão cultural que podemos analisar a leitura de cada camada social destes impactos, através da sua produção cultural. Sejam estas, música, literatura, ou qualquer outra expressão de arte.
O funck dos parágrafos anteriores, desempenha muito bem esse papel, no sentido que leva uma classe favorecida dessa sociedade a conhecer a cultura mais popular de uma camada enorme e desfavorecida. O Funck nasceu nas comunidades e mesmo depois da exposição à mídia ainda é essencialmente uma linguagem delas. Foi incluído e não engolido e moldado aos moldes da “cultura normal” e ganha força dentro desse contexto. Mas ainda não entendo esse fenômeno como troca, pois os moradores das comunidades não têm igual acesso ao mesmo nível de cultura que os moradores da zona sul por exemplo. Portanto, o funck no formato que foi criado, não poderia nascer em outro lugar senão numa comunidade.
Estou falando aí de oportunidades de acesso, pois a cultura é adquirida através da comunicação. Já que nascemos como uma folha em branco e a partir do momento que desenvolvemos a fala herdamos a cultura do meio onde vivemos. Logo é provável que um menino nascido e criado em Ipanema conheça a cultura da elite não somente de seu país mas de mundo em geral e ainda sim conheça as culturas populares e ser altamente atingido por elas. Mas inversamente o menino nascido na baixada por exemplo dificilmente terá acesso a qualquer outro tipo de cultura senão a produzida em seu ambiente. A popular.
Não quero dizer que isso seja uma regra, visto a existência de “mauricinhos” completamente ignorantes e vazios de quaisquer valores social e cultural, e ainda pessoas “baixa-renda” com grande bagagem cultural. A injustiça reside em, do ponto de vista de produzir cultura o menino de Ipanema tenha bagagem de todos os segmentos de cultura como matéria prima enquanto o menino da baixada trabalhe com apenas um material.
Daí concluímos que, não existe então a “Unidade da diferença”. E como encontrá-la, ou usando um termo mais apropriado, como conquistá-la? Com o advento da Internet e de todos os meios de comunicação, a primeira vista é fácil responder a questão dizendo que todos tem razoável acesso à cultura, já que existem bibliotecas publicas, milhares de “Lan Houses” espalhadas pelos quatro cantos, inclusive em comunidades... Mas qual o interesse de uma criança pobre em pesquisar sobre Machado de Assis, ou de conhecer o cinema Europeu? de conhecer outro estilo de música além do que lhe é imposto pelas rádios?
Ora, a príncipio, como citado anteriormente, nascemos vazios, em branco, e ao nos comunicarmos com o mundo externo, absorvemos a cultura desse meio. A chave é criar interesse em crianças e adultos por cultura geral. E torná-los receptores críticos da cultura ou da “anticultura” que lhes é oferecida e imposta diariamente.
Sei que pareço ingênuo, já que sabemos que para a economia e muito menos para a política não há interesse real em tornar o povo um grande cérebro crítico. Então só a cultura pode trazer uma unidade, ou igualdade de acesso para todos. E nenhum meio melhor que os de Comunicação de Massa para atingir esse grande público.
Somos bombardeados diariamente com programas inúteis, notícias sobre a vida inútil de artistas ou na maior parte das vezes apenas “celebridades”, somos influenciados a consumir entretenimento padronizado, programas completamente alienantes com atrações quase bizarras. Não quero e nem preciso citar quais programas são estes. Precisamos entender e fazer com que os outros entendam que a Cultura, portanto e Educação, é a chave para o desenvolvimento e crescimento do homem e de sua sociedade.
Bom, ainda não tenho bagagem suficiente para discutir de forma concisa este assunto e confesso que este é um assunto extenso demais para se tratar num simples texto de um blog pequeno como o meu. Não sei ainda ao certo em que vou me especializar ao longo da minha graduação, mas sei que Cultura é um assunto interessantíssimo. E mesmo parecendo ingênuo e lutando contra uma enorme maré, vou começar como posso, expondo meus questionamentos a vocês. Afinal idéias são para serem divididas ou multiplicadas... Depende do ponto de vista!

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