A onda do ‘ficar” surgida a alguns anos atrás e completamente aderida pelos jovens desta geração parece ter criado grandes seqüelas nessa juventude. Hoje em dia ninguém tem compromissos e vive cheio de medos. Na boca de quase todos reside um discurso poético, ético e quase romântico de que já passou essa fase, de que ficar com todo mundo sem nenhum envolvimento é vazio, já não cabe...
Mas é dessas mesmas pessoas que vemos as situações mais inusitadas. Pergunte a um jovem se ele já não conheceu alguém que se dispôs a namorar e sumiu, ou começou um relacionamento e terminou logo depois, que exigia fidelidade, atenção e mil coisas que não estava disposto a retribuir. Pergunte também, quem já não fez esse papel. Acredito que ouvirá as mesmas respostas, os mesmos textos com atores diferentes.
O “Ficar” transformou esta geração em um bando de pessoas carentes que se perdem quando o assunto se resume à intimidade. Fomos criados para sermos os melhores, discutirmos sobre todos os assuntos, lutarmos pelo nosso lugar social... As mulheres devem ser independentes, estudar, se formar, ter sua própria vida e depois, quem sabe se casar. Homem não presta, casar pra quê? E os homens por sua vez, receosos dessas mulheres tão auto-suficientes: Casar pra quê? Pra separar e depois ter que pagar uma fortuna de pensão?
Então para legião de jovens adestrados para serem auto-suficientes se entregar e se ver frágil perante uma outra pessoa parece uma idéia inconcebível.
No meio dessa história, difundiu-se como praga o “ajuntamento”, que veio da idéia do, casar pra quê? Ora, todo casal apaixonado em algum momento pensam em dividirem uma vida. Ops! Termo errado, dividir não é bem o termo. Mas viverem juntos, sem compromissos, como se juntos não fossem um casal, não houvesse unicidade, apenas uma simples união frágil que pode se desfazer cedo ou tarde sem maiores seqüelas. Da mesma forma os “ficantes” que podem “ficar” por anos sem nunca terem sido namorados, sem nenhuma espécie de compromissos, mas nunca sem cobranças.
Certa vez li uma matéria num jornal, onde a leitora perguntava acerca desse assunto, dizia ela que tinha um “ficante” de uns 3 anos, e que já não agüentava mais a situação sem rótulos e sem forma. Queria saber o que fazer. O dilema ficava entre, terminar ou continuar ficando, já que ela era apaixonada pelo tal “ficante” e ele se dizia o mesmo por ela. A resposta do psicanalista foi muito interessante. Primeiro ele a questionou o fato do “terminar”. Terminar o quê? E depois apresentou uma metáfora que conta mais ou menos a seguinte história: Em um campus de uma universidade, existia uma regra fixada numa parede que proibia cães nos alojamentos dos alunos. Um aluno num dia de chuva, se apiedou de um cão de rua, e o escondeu em seu quarto. Os amigos, depois de muito discutirem sobre a permanência ou não do animal ali, decidiram pendurar uma plaquinha em seu pescoço com a seguinte frase, Eu não sou um cão! E o cachorrinho permaneceu por anos no alojamento.
É uma história aparentemente boba, senão se perceber que o cão ficou ali porque, como um animal irracional, não se importava com a negação da sua condição, ou em o que as pessoas achavam que ele era. Não existia ali a necessidade de se conhecer, de saber o seu lugar e se impor. O mesmo acontece com os “ficantes”. Se estamos juntos, se nos beijamos, damos e ganhamos presentes, vamos ao cinema, dormimos juntos, viajamos juntos... Mas NÃO somos namorados, se essa idéia é completamente aceita das duas partes, perfeito. Mas se uma das partes não se sente bem com a sua “plaquinha” que mente, ou não deixa claro sobre a sua condição, algo está errado.
O mais triste disso tudo é como disse anteriormente que estamos cada vez mais carentes e com mais medo de que os outros percebam essa nossa necessidade. Necessidade de companhia, de espaço digno, de conhecimento de si e do outro, de pensamento coletivo. A geração de jovens de hoje, vive uma vida particular onde nada mais importa além da sua atmosfera pessoal, não há ideais, não há senso comum (ao menos não um bom senso). A alienação de toda uma geração está estampada na cara dessa juventude que levanta uma bandeira tão vazia quanto suas mentes. E me parece que daqui pra frente a tendência é piorar, com a geração Britney, Rebeldes, Alemão... e assim por diante.
Que tal revermos nossos conceitos, e tentarmos olhar adiante, procurando ver onde estaremos daqui a alguns anos. Num filme uma vez vi a frase “Não arrume a sua vida de forma que se encontre sozinho bem no momento que mais precisar de alguém”. Talvez essa frase nos faça sentido daqui a algum tempo. Não quero levantar uma bandeira romântica e nem dizer para vivermos de amor numa cabana e esquecer de fazer dinheiro, carreira... Mas vamos amadurecer direito, sermos adultos completos, pra um dia olharmos pra trás sem nos arrependermos dessa nossa juventude!
sábado, 28 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
"...A mim, não me interessa o que aconteceu... " diz Lula,

Não sou muito ligado a política, sinceramente não entendo muito sobre o assunto e nem tento entender. Entretanto sou um cidadão e não consigo fechar os olhos às necessidades e deficiências do país e principalmente do meu estado. O Rio de Janeiro está sediando os jogos Pan americanos, muito investimento foi feito, muito dinheiro foi gasto para esse grande evento. E o que nós, cidadãos normais ganhamos com isso?
Talvez essa não seja uma questão somente minha, talvez essa pergunta esteja ecoando na cabeça de muitos brasileiros. Visto as vaias recebidas pelo presidente Lula na abertura dos jogos. Disse ele numa entrevista no programa de rádio Café com o Presidente. “Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá. Eu tenho certeza de que não é esse o pensamento do Rio de Janeiro"
"Depois que terminou o evento, várias pessoas vieram dizer que tinha sido organizado, que gente tinha recebido o convite. A mim, não me interessa o que aconteceu. O importante é que foi uma abertura extraordinária dos Jogos Pan-Americanos".
Essas declarações me deixam mais insatisfeito ainda em relação ao nosso excelentíssimo presidente Lula, pois um líder que ignora uma reação do povo, e não percebe que a insatisfação não é um ato isolado, e ainda por cima tenta abafar o acontecimento dando ênfase a abertura dos jogos, não merece meu voto, não merece decidir sobre assuntos que influenciam a vida das pessoas comuns, ou seja, não merece governar.
Minha insatisfação com o Pan já existia desde que comecei a andar pela cidade e ver a grandeza das construções inúteis à cidade pós Pan, já que não se investe nos atletas, já que não se investe em educação e que assim que os jogos terminarem, tudo isso vai se deteriorar senão for privatizado. (não que eu concorde com a privatização)
Muito dinheiro foi gasto, senão “extraviado” por causa do Pan. Pois bem, no que isso vai trazer de bom para o Rio e para o país?Turismo? Até onde minhas vistas alcançam turismo só traz dinheiro de fato a quem já o tem, e em muita quantidade. Empregos? Eu chamaria de sub-empregos senão empregos temporários (Já que nada se mantém por muito tempo em bom estado, se for tratado pelo governo), os empregos de garçons, manobristas e todo o tipo de serventes. Acho que o país não precisa de empregos desse tipo, na verdade, de imediato precisa sim, pois o povo precisa por comida à mesa. Mas toda essa verba seria melhor empregada em educação e saúde. Assim daqui a 10 ou 20 anos, talvez não sejam a maior parte do Brasil formada de empregados, Talvez os filhos ou netos dessas pessoas possam ser empregadores. Talvez o povo saiba escolher melhor quem governa esse “elefante branco”, e talvez possamos fazer um Pan Americano ou uma Copa do Mundo dignos e vantajosos pra todo mundo.
Talvez essa não seja uma questão somente minha, talvez essa pergunta esteja ecoando na cabeça de muitos brasileiros. Visto as vaias recebidas pelo presidente Lula na abertura dos jogos. Disse ele numa entrevista no programa de rádio Café com o Presidente. “Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá. Eu tenho certeza de que não é esse o pensamento do Rio de Janeiro"
"Depois que terminou o evento, várias pessoas vieram dizer que tinha sido organizado, que gente tinha recebido o convite. A mim, não me interessa o que aconteceu. O importante é que foi uma abertura extraordinária dos Jogos Pan-Americanos".
Essas declarações me deixam mais insatisfeito ainda em relação ao nosso excelentíssimo presidente Lula, pois um líder que ignora uma reação do povo, e não percebe que a insatisfação não é um ato isolado, e ainda por cima tenta abafar o acontecimento dando ênfase a abertura dos jogos, não merece meu voto, não merece decidir sobre assuntos que influenciam a vida das pessoas comuns, ou seja, não merece governar.
Minha insatisfação com o Pan já existia desde que comecei a andar pela cidade e ver a grandeza das construções inúteis à cidade pós Pan, já que não se investe nos atletas, já que não se investe em educação e que assim que os jogos terminarem, tudo isso vai se deteriorar senão for privatizado. (não que eu concorde com a privatização)
Muito dinheiro foi gasto, senão “extraviado” por causa do Pan. Pois bem, no que isso vai trazer de bom para o Rio e para o país?Turismo? Até onde minhas vistas alcançam turismo só traz dinheiro de fato a quem já o tem, e em muita quantidade. Empregos? Eu chamaria de sub-empregos senão empregos temporários (Já que nada se mantém por muito tempo em bom estado, se for tratado pelo governo), os empregos de garçons, manobristas e todo o tipo de serventes. Acho que o país não precisa de empregos desse tipo, na verdade, de imediato precisa sim, pois o povo precisa por comida à mesa. Mas toda essa verba seria melhor empregada em educação e saúde. Assim daqui a 10 ou 20 anos, talvez não sejam a maior parte do Brasil formada de empregados, Talvez os filhos ou netos dessas pessoas possam ser empregadores. Talvez o povo saiba escolher melhor quem governa esse “elefante branco”, e talvez possamos fazer um Pan Americano ou uma Copa do Mundo dignos e vantajosos pra todo mundo.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Alienoplex

Olá!
Esta é a primeira postagem do meu Blog, onde comprometo-me a expor cultura de bom gosto traduzida em música, cinema, teatro, livros e o que mais aparecer de valor no assunto e ao meu alcance. Nesta inauguração quero começar falando sobre meu desagrado com os cinamas Kinoplex, Artpelx e “Alienoplex” que invadiram nossos shoppings, com uma grande estrutura que chamaria eu de Sepulcro Caiado, cheio de podridão interna.
Ha pouco tempo fui a um shopping assistir um filme, com o objetivo de entretenimento, mas obviamente de adquirir algo de bom, algo aproveitável. Para minha surpresa cinco das sete salas passavam o mesmo filme: Homem Aranha 3. Rendi-me àquela imposição e me aventurei a passar mais ou menos três horas de tortura, mas digo tortura literalmente, com aquela história manjada, que dava voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum. Fui salvo por um problema técnico na película e ganhei outro ingresso, que é claro, não desperdicei com o mesmo filme!
Em resumo, após esse episódio resolvi deixar às salas ‘plex” de lado e procurar filmes em locadoras. Encontrei grandes filmes, a maioria Europeus e gastando muito menos, e tendo muito mais conforto, agora trago a minha casa o entretenimento, o conhecimento e a reflexão que procuro.
Uma dessas grandes descobertas foi o filme Os Sonhadores (The Dreamers), do premiado diretor italiano Bernardo Bertolucci, que mo fora indicado por um grande amigo. O Filme é uma intrigante história contada em Paris na década de 1960 que tem como pano de fundo os conflitos políticos inerentes ao local e data citados. Tudo gira em torno de três amigos. Um estudante norte-americano que faz intercambia em Paris, e um casal de irmãos locais que têm uma relação especial e curiosa, quase incestuosa que moram na cidade luz.
Matthew (Michael Pitt), Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green), desenvolvem uma grande amizade que evolui para um relacionamento indefinível durante a trama, que tem início da paixão de ambos pelo cinema. Matthew vê os dois irmãos como algo que ele gostaria de ser, seres fascinantes que o acolhem e o mostram seu mundo particular. Os irmãos Theo e Isabelle vivem como se fossem uma única pessoa, passam todo o tempo juntos, são demasiadamente livres no que se diz respeito a libido, vontades, e experiências.
Theo é o click para que um romance se desenrole na história, mas não fica completamente às margens desse “relacionamento”. O Filme trabalha muito bem nudez, sensualidade, personalidade, conflitos internos e de relação com os outros. Tudo na medida certa, sem exageros e apelações, com uma direção fantástica e grandes interpretações (Destacando a magnífica interpretação de Eva Green) o filme trás uma história no mínimo incomum, que faz sua cabeça voar a mil por hora, quebrando conceitos pré-estabelecidos, e trazendo ao espectador questionamentos filosóficos e pessoais interessantíssimos.
Essa é minha dica para um fim de semana agradável e inteligente, com pipoca e amigos. Espero que seja válida! Grande abraço a todos e me contem o que acharam do filme... Fui.
Esta é a primeira postagem do meu Blog, onde comprometo-me a expor cultura de bom gosto traduzida em música, cinema, teatro, livros e o que mais aparecer de valor no assunto e ao meu alcance. Nesta inauguração quero começar falando sobre meu desagrado com os cinamas Kinoplex, Artpelx e “Alienoplex” que invadiram nossos shoppings, com uma grande estrutura que chamaria eu de Sepulcro Caiado, cheio de podridão interna.
Ha pouco tempo fui a um shopping assistir um filme, com o objetivo de entretenimento, mas obviamente de adquirir algo de bom, algo aproveitável. Para minha surpresa cinco das sete salas passavam o mesmo filme: Homem Aranha 3. Rendi-me àquela imposição e me aventurei a passar mais ou menos três horas de tortura, mas digo tortura literalmente, com aquela história manjada, que dava voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum. Fui salvo por um problema técnico na película e ganhei outro ingresso, que é claro, não desperdicei com o mesmo filme!
Em resumo, após esse episódio resolvi deixar às salas ‘plex” de lado e procurar filmes em locadoras. Encontrei grandes filmes, a maioria Europeus e gastando muito menos, e tendo muito mais conforto, agora trago a minha casa o entretenimento, o conhecimento e a reflexão que procuro.
Uma dessas grandes descobertas foi o filme Os Sonhadores (The Dreamers), do premiado diretor italiano Bernardo Bertolucci, que mo fora indicado por um grande amigo. O Filme é uma intrigante história contada em Paris na década de 1960 que tem como pano de fundo os conflitos políticos inerentes ao local e data citados. Tudo gira em torno de três amigos. Um estudante norte-americano que faz intercambia em Paris, e um casal de irmãos locais que têm uma relação especial e curiosa, quase incestuosa que moram na cidade luz.
Matthew (Michael Pitt), Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green), desenvolvem uma grande amizade que evolui para um relacionamento indefinível durante a trama, que tem início da paixão de ambos pelo cinema. Matthew vê os dois irmãos como algo que ele gostaria de ser, seres fascinantes que o acolhem e o mostram seu mundo particular. Os irmãos Theo e Isabelle vivem como se fossem uma única pessoa, passam todo o tempo juntos, são demasiadamente livres no que se diz respeito a libido, vontades, e experiências.
Theo é o click para que um romance se desenrole na história, mas não fica completamente às margens desse “relacionamento”. O Filme trabalha muito bem nudez, sensualidade, personalidade, conflitos internos e de relação com os outros. Tudo na medida certa, sem exageros e apelações, com uma direção fantástica e grandes interpretações (Destacando a magnífica interpretação de Eva Green) o filme trás uma história no mínimo incomum, que faz sua cabeça voar a mil por hora, quebrando conceitos pré-estabelecidos, e trazendo ao espectador questionamentos filosóficos e pessoais interessantíssimos.
Essa é minha dica para um fim de semana agradável e inteligente, com pipoca e amigos. Espero que seja válida! Grande abraço a todos e me contem o que acharam do filme... Fui.
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